Zé Augusto Ribeiro
Cinco poemas selecionados pelo poeta
POEMADÉCIMA NONA EDIÇÃO
8/11/20262 min read


Cinco horas da tarde
Passam carros, motos, gente.
E gente atrás de gente
e carros atrás de carros
e motos e ônibus e gente
e ônibus cheios de gente
e pernas
e braços
e olhos...
E gente.
Todos carregando algo.
Bolsas, bolsos, senhas,
sonhos, sanhas, chaves,
risos, rosas, livros,
laços, lições e lenços.
E documentos.
E caminham contra o vento.
Travando consigo lutas,
guardando em silêncio lutos,
chorando invisíveis dores,
sonhando amores possíveis
e improváveis romances.
E enquanto se move a cidade,
elétrica e combustível.
Carros, motos, gente.
Levando cansados para a casa
o pão das pequenas alegrias.
Ignoram o que há de poesia,
nas cinco horas da tarde.
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Gracejo
Ria, menina
Ria enquanto o rio passa
E o riso não se desfaz
Porque riso não se disfarça.
Ria, menina
Ria enquanto a vida passa
Ria que a tristeza é fugaz
E não há mal que não se desfaça.
Ria, menina
Ria que a alegria te abraça
Ria que o riso trás paz
E paz é estado de graça.
Ria, menina
O riso é canção que enlaça
Ria do que for capaz
Ria, ainda há vinho na taça.
Ria, menina
Ria que a poesia se traça
Ria do que te apraz
Ria...ainda é de graça.
......................
Um pé na porta, um pé na estrada
Deixe-me ir, preciso andar.
O mundo é grande,
A estrada é longa
E meu coração é vasto.
Pergunte ao pó.
Pergunte ao chão.
Eles dirão.
Aonde andarei.
Aonde andarão
Os meus sapatos.
Deixe-me, estar.
Ficar aqui.
Ficar ali.
Ou em qualquer lugar.
Um pé na porta,
Um pé na estrada.
Toda partida.
Toda chegada.
Ir ou ficar.
Deixe-me ir, preciso andar.
....................
Mar que não se avista
Daqui onde esse poema se deita
Não se avista o mar.
Poema nascido entre as serras,
Costas voltadas ao oceano,
Olhos que sabem que o azul,
Descendo por trás da montanha,
Em algum lugar se encontra
Na linha entre céu e água.
Daqui o poema vê o rio.
E o rio sim sabe do mar.
Porque para o rio o mar é destino
E nele o poema se estende.
Corpo de todo submerso,
Ouvidos perto da água.
Deixando que o rio lhe conte
Antigas estórias de um dia.
Fazendo sonhar com um tempo
Tempo quando ele, poema,
Terá seu caminho para o mar.
..........................
Eu sou um homem só
Há em mim tantos povos.
Descobrindo o fogo,
inventando a roda,
avançando planícies,
navegando correntes
e chegando estranhos
ao continente em mim.
Há em mim tanta gente:
Pés e mãos e olhos.
Abrindo estradas,
construindo cidades,
erguendo igrejas,
demarcando fronteiras
e espalhando estados
no país que me fiz.
Há em mim tantas vidas.
Tantos sonhos dormindo
e romances despertos.
Tanto luto guardado
e alegrias espalhadas.
Há em mim tantos outros.
Muitos outros.
Dentro em mim, uma nação.
E eu sou um homem só.
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Zé Augusto Ribeiro- sou paulista de Guaratinguetá, tenho 45 anos, comerciante e poeta. Escrevo desde a adolescência e já tenho vários poemas publicados em antologias como: "Poeminhas"(Editora Frutificando, 2024), "Poéticos em Itabira"(Editora Natesha, 2025) e "Poéticos em Antônio Prado"(Editora Natesha, 2026). Além de um haicai finalista no "Prêmio Haijin Brasil" de 2024 realizado pela Casa Brasileira de Livros.