Um objeto Cortante
Poemas extraídos do livro da poeta Alexandra Maia, editora Numa, 2019
POEMADÉCIMA PRIMEIRA EDIÇÃO
2/3/20261 min read
OUTRA HISTÓRIA
Era uma vez um palácio
uma biblioteca antiga, muitos besouros
esqueletos, fósseis, carruagens do Imperador
Era uma vez Luzia
Era uma vez uma tristeza profunda
dessas que cansam a alma
te mandam pra cama
te torcem por dentro
Era uma vez uma múmia cremada
a morte prematura dos bichos em clorofórmio
uma tristeza feita de cinzas
Borboletas em chamas
Era uma vez o fogo a cuspir o descaso
uma vontade de chorar por meus filhos
um amanhecer em escombros
Era uma vez tanta história que
Como contar que era uma vez?
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UMA FEBRE EM FLOR
Colheste uma flor com febre
Repito
A flor que escolheste tem febre e fome
Fome e febre
que rompem da flor a casca
semente e vício de ser dura
É esperado que a flor se abra
mas o abrir-se liberta uma dor
que dobra a flor que se desdobra
- em teus dedos - para ser mais que flor
Cuidado
O abrir-se nela é sem fundo
O vazio exposto na flor que tocas
com fome e febre
esconde folhas ao vento
pólen, orvalho
resquícios
que o abrir-se
o abrir-se incendeia tudo
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UM DRAGÃO
Um dragão domesticado passeia pela sala
Onde o fogo, o brilho?
Onde a força, a fome, o céu?
E pensar que voo
e lembrar que garras, asas, ímpeto
Preso à coleira
meu dragão morre de tédio e tristeza
como um leão de circo do interior
Domesticar
uma ideia que amedronta





