André Osório

Apresentação do poeta português André Osório, por Ana Tapadas, e poemas do livro "Sala de Operações".

DÉCIMA SEXTA EDIÇÃOPOEMAPROSA LITERÁRIA

5/25/202611 min read

Por Ana Tapadas

O título é sugestivo e inquietante – lugar de luta contra a efemeridade da vida, lugar de morte, porventura. Sítio de transformação, grande palco cirúrgico.

Folheio, leio transversalmente e com a avidez de chegar ao miolo da obra...e deparo-me com a palavra “Ázigo”, vagamente, penso no significado grego deste termo: “único”, ou ímpar, como o jovem e talentoso poeta que aqui vos apresento. Entremos na sala de operações, onde esta veia ímpar, que faz parte de um sistema de outras veias, se acomoda.

Sou mais uma das suas leitoras. Lê-lo é surpreender-se, nessa fuga aos floreados, é mergulhar numa contenção que muito aprecio.

Há no autor uma melancolia contida feita de palavras esculpidas, mesmo quando o seu lirismo se afoga no corpo, no sentimento de uma “sala de operações” urbana que vê asséptica através de uma arte poética extraordinária, dissecada e precisa.

Há nele uma consciência da fragilidade fragmentada da vida humana e a consciência de uma memória que me parece invulgar, num poeta tão jovem.

O seu olhar é urbano, mas atento, diria mesmo cirúrgico.

O ritmo, construído com versos de raras pausas, evoca o ritmo da vida urbana. Os versos, aqui e ali, têm sonoridades musicais (pág.19), apoiadas em aliterações e assonâncias.

Os seus poemas detêm uma consciência uma invulgar para um autor tão jovem.

Os “carros” parecem ser os repositórios da vida urbana. Animizam-se sob um regime de imagens literárias penumbrosas, de uma meia-luz nocturna, crepuscular e sem brilho.

Em toda a obra há uma liberdade criativa evidente também afirmada pela presença de poemas harmoniosos, numa construção sem amarras aos cânones tradicionais. A marca de algumas rupturas é feita de originalidade de um pensamento pós-moderno e individualizado. Noutros poemas, leio a ironia de O’ Neill que observa cirurgicamente os prédios, as paisagens que eram e já não são, na mudança fluida da cidade, onde tudo é precário e se transforma. Às vezes, Cesário Verde assoma no minucioso olhar sobre a cidade, mas na evocação do campo já nada se revigora e a doença permanece (p.p. 25/27).

Que “alma velha” o habita para escrever assim(?) neste tempo em que a maioria sucumbe a uma efémera sociedade espectáculo?

Que nostalgia o leva aos lugares “de uma ausência”, (pág.32) como diria Maurice Blanchot, e o habita nessa geografia íntima que tão profundos poemas nos traz nessa sua arte poética? (“vapor”, pág. 32)

Proponho, aos leitores, uma atenção muito especial ao sema da “consciência social”, presente nos poemas das p.p. 42 e seguintes e, em especial o poema da pág. 50, “Hannah” que antecede a parte intitulada “sala de operações” concatenada com o poema com o mesmo título, na página 82. . Estes poemas constroem-se sobre intertextualidades diversas, mas de todos emerge a sensação da nossa inglória finitude.

Poemas do livro "Sala de Operações":

Ressurreição

A porta fechada: trabalhas, no centro da mesa, o mundo.

Teus filhos, de fora, não podem entrar;

crescem para adornar seu medo com a adoração

e essa ausência primeira com a entrada no mesmo lugar

que os subtraiu, tirou dele.

Deus criou os seus súbditos; agarrados ao que conhecem,

às sombras de si, onde reportam o adversário,

na terra, no que ela concebe. Condenam, cá fora,

o estrangeiro quando são eles próprios turistas, expandindo

seu reino sem fim.

Recriam o corpo perdido, abandonando-se.

O país atado a um fado, num destino privado,

onde quem não se devolve em pranto gera, desenfreado,

seu estar sozinho. A caverna, eu sei,

orações de bicos-de-pé para espreitar dentro

o escritório – apagaste-te para ser como ele,

mas não és, cresceste numa caixa já embalada

para partir encomendado. Competitivismo de

servir e destruir, a necessidade de confiança

e falso querer de estabilidade aflora na pele a revolta.

Murmúrios de paz elevam o espírito à morte num símbolo,

o Senhor, agora morto, é Cristo, e o seu sangue

veneno em nosso corpo, original. Eva e Adão são suas duas mãos

buscando atenção – por fora, criam esperando o reconhecimento,

espiam por dentro o porquê de sua intocável derrota.

Por quem são responsáveis, gritam; despedem,

mitigam como neles o seu pai a possibilidade de existir,

retiram o espírito livre, o tempo, o dinheiro, alimentam rituais,

mitos, superstições, para, ordenados, ascenderem

e sustentarem a sua auto-repressão,

por indiferença ou crença de amor.

Unindo as palmas, são puros; as ruas limpas de poeiras,

a imagem cristalina perante o espelho que se penteia,

formalizando a apatia, entre os dentes, como quem

escova, toda a manhã, por harmonia.

Monumentos ofensos à memória, somos vítreos

a quem vem de fora; as casas expulsando inquilinos,

bancos juram crises, com lábios conservadores e inflação

ao peito, beijando-a todas as manhãs enquanto dividem o pão

pelo vizinho do lado num super-mercado esfomeado,

por culpa, ou, quem sabe, confessar e expurgar seu pecado,

greves e emprego mal pago, educação de números inventados

para a equação, importada, e afinal pessoas como conceitos

caem de barcos de migração, afogam-se nos chuveiros de prédios

antigos, nunca reparados, mas de valor em erupção,

dos choros secretos nas sombras das casas

abre-se o descampado, onde todo o mundo celebra

em face de quem realmente sofre – os seus rostos irreconhecíveis,

deitados nas ruas, reflectem-se nos espelhos do quarto,

escovas de cabelo e laca, e incenso, filhos negados

da sua vida emprestada, louvor ao sol, que os queimou

por um lugar mais perto da chama, olhos como boias

naufragando no imo da noite, encovados, ressuscitam

nos incêndios alastrados, pelos campos de trigo, de uva, de arroz,

abstinentes embriagados num inferno que, passivos, atearam.

Nem Platão, com suas formas, nem Aristóteles na sua cadeira, a sós,

vos salvarão, poetas metafísicos, nem a vocês,

adeptos da morte, escondidos na prótese de uma Tradição;

este mundo é, de facto, o vosso, mas não sem medida.

A verdade, di-lo aos accionistas, desmorona a mentira erigida.

*

Formas da Metafísica

I

«Contra as paredes da cidade,

encostados à nossa Tradição sem idade»,

ele repetia, ciciando ao soldado,

benzendo-se com o calor do dia,

pregando humildade e caridade.

O vento devolvia a seus ramos o segredo da vida.

Aos pares, eles caíam: um pé ante o outro,

amarrados ao amor divino; os braços, unidos,

simulando uma prece. Lembravam suas mulheres,

guardadas à boca das casas, a criança morta na rua,

o filho que gritava, entre os remendos do quarto,

por uma vida que terá jamais. Mas que vida?

Tal violência, tão subtil, interrompia estas suas vozes interiores.

A palavra tinha-os consumido.

Face ao altar, fitavam, de baixo, os feixes de luz –

e as pequenas moedas caindo de cada vez,

revolvendo, e a pele rugosa, revelando,

seus rostos volvidos para o chão

como um último pensamento cristalizado para os séculos.

Curioso, as crianças não estavam ali, entre vestes maternas,

naquele quadro. Só nelas pensava;

este sábado à tarde, escurecendo, num museu de Praga.

II

Também comem, eles, os adultos,

depois de um dia de trabalho como outro qualquer,

remidos com uma maçã de um cesto comunitário

passando em corredores, em canteiros

vazios, vozes subterradas; e o meu rosto cansado

torneando onde marca ainda ‘3min 22’,

da carne congelada, e massa fria no tupperware,

hidratos, proteína e depois

‘ah, pois, e de-pois, e de-pois’,

o mesmo sempre rotineiro aceno a um semblante de gravata

e fato, que prostra, insidiosamente, de trás do vidro,

a sua fome.

Vários anos num mesmo espaço

tinham-lhe concedido uma beleza desmesurada.

Acordava, sem despertador, atravessando a noite da estrada,

mudava os seus dois filhos, um beijo

de noite, repetido de manhã, uma chávena de café

bebida até meio, duas torradas, leite: talvez.

Compreendia a virtude pelo ponto de embraiagem,

guiado pela cadência das linhas cada vez mais próximas,

pelo que imaginava quebrar a lei – até que chegava.

O seu sorriso vincado passava cada um dos seus rostos.

Cada um, organicamente, sorria-lhe de volta.

Fragmentos latentes de uma felicidade que se dilata,

quotidianamente, sem uma palavra.

III

Nossas casas são galerias do que não fomos.

Biografia emoldurada entre as fotos de família, de amigos,

da genealogia construída entre os anos, ao cimo dos móveis.

Pratos velhos da avó materna que morrera por dentro

no centro de sua infância, brancos, quase azuis.

Alguns panos, rendas, um ramo guardado daquele velório.

Sim, aquele. Não se lembrava de sua cara já;

perdia-lhe o nome, por vezes, entre os dedos cansados.

A cada morte existe um velório, a cada velório uma espera.

Recordo-me de ti, sempre, sentado no sofá,

ladeado pelos móveis, passando pela programação da tarde

naquele ecrã minúsculo. Passavas muito tempo aí,

fora do quarto, fora do mundo. Era a avó

que trazia o leite, o peixe da praça,

o novelo com que ocupavas o tempo, a pele.

Mas a verdade é que era tua a casa, não dela;

os armários teus, a cama tua, o televisor teu.

Sabias que o casamento era a principal fonte de piedade.

Todas as noites ela dormia no quarto, tu, no âmago da sala,

vendo-lhe a distância.

É tarde, já; faz frio lá fora.

E todos os meus amigos lançaram uma festa

no Café Central.

*

Avenida da Igreja

A cidade é uma montra.

Cá fora, olhamos: de bibe,

o reflexo, fita em troco:

a morte é um guarda-nocturno.

Procuramos, entre moedas,

uma memória.

*

Sala de Operações

He was fleeting across frozen fields
Where behind rhymed barbed wire
The miserable souls of his friends
And enemies would remain.
CZESŁAW MIŁOSZ

Aqui está o meu corpo.

Aberto, exposto,

aqui está o meu corpo, pensou.

Pele, pêlos, sangue, nervos,

órgãos. Não seria tão desconfortável,

não fosse tão imensamente calculado.

É forma comum: baço, braços, pernas,

preocupações. Ainda assim, estar aqui, neste lugar,

perante os vossos olhos, vazio e frio, examinado,

não dá totalmente para cair em mim.

Era um médico, ele. Tirara o curso

na Universidade Nova, e, depois, especialidade

em cirurgia de transplante. Não o conhecia antes

disto, quero dizer, deste nosso encontro.

Era um homem nos seus trinta e cinco anos,

calvo, quase, com um ar ao de leve cansado,

talvez do turno de trabalho, das luvas de sílex

gastas, ou, tão só, de um hábito subtil e adquirido de o dissimular.

Cumpria todas as horas extra, era conhecido pelos seus milagres

com os pacientes. Uma noite, a mulher deixou-o.

As pinças suportavam as bordas, a pele

era arame farpado para aprazimento estético.

Sou um corpo vazio. Tenho, nas tuas mãos,

o coração desfeito. Por cima,

detrás do vidro, alguém vigia, atento ao ecrã.

Tira notas. Talvez alunos. Lembram-me –

porventura, não se apercebam –

de aulas de literatura que tive na juventude. Olhei-

as da janela. O transplante estava pronto,

letras, arranhadas, selavam o embuste.

Observas-me de frente, sem desviar o olhar?

De novo o meu coração bate por ti,

tu que me o tiraste. Repara: as paredes da cidade,

as estradas ocupadas de crianças em postos de rua,

o cipreste, a areia, o aniversário;

que, afinal, esta nossa existência virtual, esta

próxima preocupação como um olho subterrado, corolário,

bombeia, entre o plasma, o horror de nossa civilização?

Cortas-te na fuga. Sozinho, no quarto, a tua distância é minha.

Levantas a face, as palavras gastas. Ligaduras escorrem-te como luvas gentis.

*

Four Seasons

So that the actual progress of the sentence
can be watched, the Harrow is made
FRANZ KAFKA

«Sete da manhã; uma hora antes o pequeno-almoço.

Jornais dormem de fato em seus lençóis de cortina fechada,

desconfiados de que o ritmo, exterior, retomou a sua força

primeira, quando o mundo atravessa os corredores, em alvoroço,

e a culpa, incólume, volta com uma luz única no escuro, inteira.

Antes de se levantarem com ela, não davam sinal

de estar tudo diferente: os dias mais longos, o tempo

menos húmido, embora escondido o húmus no dorso de cal,

as vozes, com seus carrinhos de mão, atarefadas,

a pele em que se embrulham findos os vapores de um parto.

Pensariam que esse sossego, tão merecido, fora da família,

dos filhos e do emprego, lhes restituiria uma unidade final,

ou que os primeiros dias de juventude seriam, agora,

um desejo indistinto; não sei, tento compreender,

quem sou, onde estou, por quem me ergo de manhã

e me deito à noite. As paredes ressonam contra o reflexo,

o eco do brilho é constante – cortinas ondulam como um irmão afogado.

Suspeitariam que estou aqui, deste outro lado, para lhes tomar conta,

que bastaria esta maçaneta, este botão apertado,

para conceber uma distância tão grande, dor tão passiva?

Que lugar era este, tão além-tempo, tão imóvel?

Seria o primeiro a perturbar seu silêncio profundo.

O meu pé lasso, das várias horas de trabalho,

a semana perfeita sobre o músculo reclinada,

observando, distante, procedimentos que, afinal,

não assimilava, diziam, os corredores de sua consciência,

ter de transpor a fronteira do sono, acordar

depois do licor, do véu e das pedras de gelo,

dos ensaios recalcados para dúvidas que nunca

vieram, dos falsos casamentos, do falso olhar

piedoso pelo diverso, sob o outro prisma

das pálpebras, depois das horas, dos meses, dos anos,

depois do tempo, aqui, e agora, e sempre,

avanço com cautela, silencioso, eficaz, constante,

sobre os minutos de meus passos, a ária

perpétua da minha voz, do meu cansaço.

Sobe o sol, entra a alvorada tímida nos quartos.

E sei, a claridade é minha de novo, devolve-se em nova oportunidade,

os olhos cintilam como as letras omissas do mundo,

que voltam do escuro e do vento, dos quadros,

dos museus e das fotografias de um massacre

de outra data; eu não compreendia, nem eles,

que era o hábito a verdadeira face do sagrado,

ou assim me diziam quando pequeno – os deveres

para o bem comum, a graça universal,

o além, o outro lado, e o ouvido encostado,

a lâmina cristalina do machado (está no som o duplo da forma)

hesitante entre amor e morte, no entanto

sussurrante, afiada, cortante, como quem busca no passado

rigor de nova vida, assim menos compassada,

menos medida, menos entregue a qualquer vontade divina,

que se estende em murmúrio de mão fechada,

convoca o que não foi à boca do sono

de um futuro que não existiu, mãe casta

que participa do nascimento dos seus filhos no seu,

este passivo anseio por uma repetição, homens

acamados na noite insone, digo a mim mesmo:

são eles, sim, eles são a minha salvação.

Então abro a porta. As janelas. As persianas.

O mundo. E desapareço.

Sem rasto, sem morada; estou aqui a sós,

sim, comigo, a sós. Digam-me, em que cama me deito,

que voz me trespassa como um bastardo por criar,

soprando secreto, que areal se vê da sua própria margem

e que barco sulca com este sangue seco, suor, imagem, mar –

a treva resvala cansada pelas cortinas,

reflecte-se em volta dos dedos, anelar, líquida,

na contínua dor de acordar para o mesmo sonho,

a mesma inquietação, os mesmos lençóis pesados, o mesmo leito,

o mesmo amor desmedido e voragem inscrita,

a tua boca no meu peito, descoberta de um lugar

até há pouco inimaginável: o antigo aroma a pasto,

o porta-bagagens aberto no descampado, entre fungos e laranjeiras,

alguém a nosso lado que agarrar e, entre unhas, dizer sim ao medo,

à existência caótica do tempo; o piquenique de vespas

dilatava-se, agora, do outro lado do vidro,

enquanto uma mão de luz fende a sombra,

rastejando do seu corpo como uma larva, o pó no ar,

e como se, sem passaporte, o som de um forasteiro

atravessasse as suas mais secretas trincheiras,

deteve-se, rodou os pulsos, como lábios sobre a fronte

nua, a grande canícula do Verão, executante. Abro a porta:

sete da manhã; uma hora antes do pequeno-almoço.

Jornais dormem de fato em seus lençóis de cortina fechada,

desconfiados de que o ritmo, exterior, retomou sua força,

quando, em gritos embalados, partem para uma noite primeira,

onde eu, fólio vergado, como num velório, te cobro.

Serve-me uma bebida, agita este copo

de pedras, em que me inebrio e naufrago, levanta-me, compreende-me,

escuta o sangue no corpo marcado, paga-me.»

André Osório, nasceu em Lisboa, em 1998. Fez mestrado em Teoria da Literatura na Universidade de Lisboa, sendo doutorando do mesmo curso. Tem poesia publicada em várias revistas literárias, nacionais e internacionais, e em antologias. É um dos co-fundadores e directores da revista Lote. Em 2020, publicou o seu primeiro livro de poesia Observação da Gravidade (Guerra e Paz), finalista do Prémio Literário Glória de Sant’Anna (2021) e semifinalista do Prémio Oceanos (2021). Em 2023 foi vencedor da Bolsa de Criação Literária da DGLAB, da qual resultou o seu segundo livro de poesia Sala de Operações (2024).

André Osório

Nasceu em Lisboa, em 1998. Licenciou-se em Estudos Portugueses na Universidade Nova de Lisboa – Faculdade de Ciências Sociais Humanas e Sociais e está a terminar o mestrado em Teoria da Literatura, na Universidade de Lisboa – Faculdade de Letras. Tem poesia publicada em revistas como Folhas, Letras & Outros Ofícios (Aveiro), edição online da Porridge Magazine (Londres), Palavra Comum (Galiza), ACanto (Leiria), Apócrifa e Lote (Lisboa), da qual é um dos co-fundadores e directores, com o primeiro número enfocando poesia e o segundo poesia e ensaio. Em Agosto de 2020, publicou a sua primeira colecção de poesia intitulada Observação da Gravidade, que foi finalista do Prémio Literário Glória de Sant’Anna (2021) e é semifinalista do Prémio Oceanos.