A poesia de Graça Graúna
Quatro poemas retirados do site https://gracagrauna.com
POEMADECIMA SEGUNDA EDIÇÃO
2/20/20262 min read
Trilhas ancestrais
Aprendi com os meus pais
a trilhar desde cedo
à luz da Ancestralidade
Mergulhei pelos caminhos
ainda na barriga da minha mãe
e à medida que a intuição foi chegando
aprendi a ler o tempo
nas tranças da minha avó
A Ancestralidade nos une.
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Terra fecunda
“Somos parte da terra e ela faz parte de nós” (Chefe Seatle, 1854)
A Ancestralidade habita
o coração da Terra
e dentro de nós
somos tecidos de vozes
da diversidade de mundos
de história em história
de memória em memória.
Somos filhos e filhas
da Terra Viva da Terra Fecunda
de Pindorama Terra frondosa
Filhos e filhas da Terra Madura
do florescimento
nós somos a multiplicação
da semente dos povos originários
Estamos aqui.
Nós existimos!
Nós resistimos
e transcendemos
o dito pré-colombiano... pré-cabralino...
Somos Abya Yala, Kuna,
Chibcha, Mixteca, Zapoteca,
Ashuar, Huaraoni, Guarani,
Tupiniquim, Caiapó, Aymara,
Ashaninka, Kaxinawá,
Potiguara, Tikuna,
Krenak, Paiacu, Tarairiú,
Terena, Quéchua, Karajá,
Mapuche, Yanomami, Xavante
e muito mais povos na luta
pela vida por uma Terra sem males
Abya Yala
Terra fecunda
Terra madura
e em florescimento
Somos tecidos de vozes
da diversidade de mundos
de história em história
de memória em memória
a Ancestralidade nos une
no plantio e na colheita de abóbora,
batata e milho entre o que há de sagrado
para sustentar o céu e o encantamento.
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Retratos
Saúdo as minhas irmãs
de suor papel e tinta
fiandeiras guardiãs
ao tecer o embalo
da rede rubra ou lilás
no mar da palavra
escrita o voraz
Saúdo as minhas irmãs
de suor papel e tinta
fiandeiras tecelãs
retratos do que sonhamos
retratos do que plantamos
no tempo em que nossa voz
era só silêncio
.................
Quem disse que a saudade não se mede?
Minha saudade é assim:
maior que as tranças da minha vó,
maior que um monte de areia do mar,
bem maior que o mundo.
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Graça Graúna
Maria das Graças Ferreira, conhecida pelo nome indígena Graça Graúna nasceu em 1948, na cidade de São José do Campestre a 64 km dos parentes da Aldeia Catu. Por volta de dez anos, mudou-se com a mãe costureira, o pai pescador e mais cinco irmãos para Recife, onde reside ainda hoje.[5]
Formou-se em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco onde também fez seu mestrado sobre mitos indígenas na literatura infantil e o doutorado sobre literatura indígena contemporânea no Brasil. Descendente de potiguaras, coordenou o Projeto de Especialização para Formação de Professores Indígenas no Estado de Pernambuco, no campus da Universidade Federal de Pernambuco em Garanhuns.
Lidera o grupo de estudos Comparados: Literatura e Interdisciplinaridade (GRUPEC-UPE). Sua produção cultural também se estende a colaboração em revistas e jornais, entre eles: o Arte e Palavra (Sergipe), Suplemento Literário do Minas (BH) e o Jornal de Letras (Lisboa), em que comenta a literatura da perspectiva indígena